Apesar da maioria de nós ter utilizado o "2 ou 1" com mais frequência para tomar decisões importantes na infância, o "Papel, pedra, tesoura" acabou desembarcando em nosso país com os imigrantes japoneses (lá eles chamam o jogo de "Janken") e ganhou fama entre a criançada .
E daí? E daí que existe uma sociedade mundial dos praticantes do jogo. É a World RPS Society (Rock, Paper, Scissors), cujo slogan é (acreditem!) "Serving the needs of decision makers since 1918".
Quando vi o site pela primeira vez, pensei: "Deve ser algum tipo de brincadeira". Mas pelo jeito não é. Existe até mesmo um campeonato mundial de "Papel, pedra, tesoura"! (Neste ano vai acontecer no dia 13 de outubro em Toronto, Canadá... você já tem programa para esse dia? Olha que o prêmio principal é de U$ 7.000,00!!!).
O site também explica como jogar, vende camisetas temáticas, tem galeria de fotos e vídeos, manual de estratégias avançadas, treinos online e tudo que você precisa saber para se profissionalizar nesse jogo extremamente divertido e envolvente (para quem não percebeu, isso foi uma ironia).
Enfim, tem maluco para tudo. Esse é justamente o learning que devemos tirar desse post. Se pessoas criam uma comunidade com um tema tão banal, geram conteúdo e um vasto material de leitura e organizam encontros e campeonatos, por que essas mesmas pessoas não se envolveriam com a sua marca, que gasta milhões para isso?
Colocarei aqui três hipóteses que me vêm à mente, mas fica a reflexão: 1. Sua marca não possui em essência nenhum diferencial competitivo. 2. Você não está conseguindo criar mecanismos de envolvimento relevantes para as pessoas. 3. Os pontos de contato nos quais você está tentando falar com seu consumidor não são os mais adequados.
Apenas não se deixe iludir. Existe louco para tudo, mas sua marca se apropriar do jogo "2 ou 1" certamente não será a solução.
"Just because it's on the menu, doesn't mean you have to order it."
Traduzindo: Não é porque está no cardápio que você deve pedir.
Resolvi citá-la aqui pois ela vai de encontro à obsessão pela inovação que tomou conta do mercado publicitário. Hoje em dia não existem mais briefings sem os dizeres "inovação", "ações inovadoras" ou "impactar o consumidor de maneira inusitada". Acredito que isso esteja causando uma espécie de miopia entre os publicitários.
Explico. Por essa razão, muitos estão esquecendo que não podemos 'descolar' a inovação do consumidor, do dna da marca e de seus objetivos mercadológicos. A inovação pela inovação é quase que uma forma de arte vanguardista. É uma releitura do parnasianismo para os tempos modernos.
Ser a marca "mais inovadora do mundo" pode ser interessante para empresas de telecomunicações, mas será da mesma forma interessante para uma fabricante de ração para cachorros?